Poemas de Rosa Maria Santos

Entre o Vale e o céu

Meus olhos seguem teu vale encantado
E olham para ti, rara beleza,
Lá nessas águas, no teu leito amado
Os peixes a saltar na correnteza

Meus olhos nesse azul, silenciosos,
Caminham pelas margens do Varosa
E ouvem esses sons melodiosos
Das águas da cascata em polvorosa.

O meu olhar contempla o azul do céu
O mesmo azul, aquele azul do rio
Que um peito apaixonado enterneceu
Naquele beijo intenso, tão vadio.

Meus olhos, quais frutinhos de avelã,
Contemplam na manhã o alvorecer
E pela noite o cheiro da romã
Deseja no teu rio a adormecer.

Do céu as aves vão chegando em bando
No seu regresso ao lar, o doce lar
E olhando as tuas águas, vou sonhando
Com tudo o que ainda tens para me dar.

 

Mulher Cristo

Cativa nas muralhas do Mosteiro,
A Mulher Cristo, triste, soluçava,
E o vento era o seu nobre mensageiro 
Que as novas, pelas gentes espalhava.

Seu peito, mergulhado em nostalgia,
Doía com o tempo a não a passar
E pela noite ou quando à luz do dia
A Mulher Cristo orava sem cessar

Na sua cela de pequeno espaço
Um nó sua garganta sufocava
Andava e contava cada passo
A ver se algo a tranquilizava

Ouvia essa suave melodia
Que sua mãe há muito lhe ensinara
E tinha a solidão por sua companhia
Até que o sol à noite lhe escapara

Durante tanto tempo na masmorra,
Logrou perder a vida em cativeiro
Menina e moça como fora outrora
O tempo lhe foi vil e traiçoeiro

Na sua cela a Mulher Cristo orava
A Deus o pai, pedindo a salvação
Com crueldade a vida a maltratava,
Madrasta foi de um nobre coração.

 

Meu amor ausente

Quando rompe a aurora a cascata chora,
As águas aflitas murmuram baixinho,
Estou tão sozinha, o que faço agora? 
A cascata chora por meu amorzinho. …

O rio é bravio pois procura alguém
Corre pelo vale com forte corrente
Meu amor me disse não ser de ninguém,
Que seu coração era meu somente….

Mouras, ninfas que o vale encantais
Vinde proteger-me nesta madrugada,
Lindas estrelinhas que no céu brilhais
Ó, não acordeis a musa encantada

Sinto o burburinho da cascata amiga
Que ao descer o rio se faz melodia
Às vezes parece cantilena antiga
Nesse turbilhão pela noite e dia

Os tons outonais, ao entardecer
O meu coração, querem encantar
Mas minha alma chora, sinto-me a sofrer
Porque não te sinto, não te posso amar.

 

Poemas de Rosa Maria Santos

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