Poemas de Ana P de Madureira

 
Poemas de Ana P de Madureira
 
 
***
 
não há como sepultar
as palavras
nem mesmo as mudas
fustigadas pela chuva ácida
submergidas pelo punhal
 
plástico descomunal
o que invade
a boca dos peixes
e os chacina
com anzóis de destroços
aprisionando
com a podridão
o sangue do grito
 
mas nem mesmo
estropiadas
as palavras se calam
na voz do Poeta
que as risca na carne
cravando-as nos versos
até abrir o infundo
onde as letras
são sempre pássaros
na boca da liberdade
 
 
***
 
ebulo
na metamorfose de mim
nestas asas encandeadas
como pássaro
acabado de nascer
 
e rasgo a vela
que me insufla o peito
para que o vento
me rebente os sentires
abertos na ondulação
espumada
pelas labaredas
que ascendem ao voo
onde o olhar abrange
o indefinido
liberto
de dogmas cravados
nos vincos
que formatam inverdades
e cegam
os que têm por muro o céu
 
jardins azuis
onde a bruma adormece
dentro dos ninhos
 
morada de flores
de boca aberta
trazida pela invisibilidade
do sopro
de uma flauta de pan
assim sou eu
 
 
 

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