Poemas de Ana P de Madureira

 
Poemas de Ana P de Madureira
 
 
***
 
e irei lá
bem por dentro
dos olhos da pele
sorvendo
as profundezas
do sem fundo do poço
 
e todas as curvas
são amoras
e todos os becos
um abrir do interdito
 
proibidos sucos
os que me engolem
enquanto os troncos
me enleiam
e a fruta
é polpa
no meu regaço
 
e tranco-me
no paraíso
da tua árvore
 
na minha língua
o deguste
de todas as nervuras
 
e a luz
por entre os poros
das folhas
que salivamos
 
 
***
 
formigo
na mágica do caminho
o arrepio que me toma
pelo desejo da escalada
 
e subo-te lasciva
como quem vai aos infernos
para sangrar o céu
 
nos olhos o cegar dos teus
relampejam as línguas descaradas
içando as bocas
 
vertigem do tombo
sobre o desconhecido
 
e demoram-se os mistérios no suor
da caminhada
sobre os corpos
 
 
***
 
corpo
que me dizes
e na carne
se te me entranhas
esconderijo
despudorado
manicómio do meu sangue
rasgos
do hímen da minha alma
que em ti se verte
e contigo se alucina
corpo
alquímico
que me desvendas
o êxtase
dos mistérios
e em mim poisas
a dádiva
do sem regresso
 
sempre que contigo
parto
não volto
 
©Ana P de Madureira

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